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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Flightless (extremelly rare) iberian meadow mantis

Apteromantis aptera is one of the rarest mantis species in Europe. In fact, it is strictly endemic to a few areas in the south of the Iberian Peninsula where it is a meadow species, hopping pretty much like a grasshopper and thus overlooked by most naturalists.

We could find a new population of this Near Threatened and covered by Annex II of the Bern Convention species last weekend in a biodiversity rich area in Baixo Alentejo, Southern Portugal.

As far as I know, there are only about half a dozen records from Portugal and this adds a little more data to the known distribution of this very rare species.



Apteromantis aptera

More info about it and first reference for the species in Portugal here

terça-feira, 8 de março de 2011

Euchloe tagis: muito mais que apenas uma borboleta branca.

No início de Março, quando os primeiros raios de sol primaveris fazem despontar as primeiras flores de rosmaninho, as orquídeas mais singulares e aquecem as encostas das serras calcárias de Portugal surge uma pequena borboleta branca a voar nervosamente nas cumeadas e nas zonas de matagal mediterrânico mais bem conservado, a Branca-Portuguesa, a Euchloe tagis.



Esta borboleta diurna é aparentada com outras espécies conhecidas em Portugal como as borboletas da couve (género Pieris), a Maravilha (Colias croceus) ou a
Cleópatra (Gonepteryx cleopatra) que vemos habitualmente a voar nos nossos campos.



O que torna esta borboleta tão especial entre as cerca de 2500 espécies que existem no nosso país é o facto interessante de ter sido descrita pela primeira vez para a ciência segundo exemplares encontrados em Portugal, mais especificamente na península de Setúbal no final do século XVII!
Depois, foi descoberta em colónias sempre isoladas entre Portugal e o noroeste de Itália, sendo ainda conhecidas duas populações em Marrocos e outra na Argélia.


Distribuição mundial de E. tagis.

Curiosamente, durante perto de 200 anos até 2007, a Branca-Portuguesa apenas foi observada com alguma regularidade na Serra da Arrábida, a sua biologia em Portugal era praticamente desconhecida e é considerada “Em Perigo de Extinção” no mais recente livro As borboletas de Portugal, de Ernestino Maravalhas.

Em 2007 foi descoberta noutras três Serras portuguesas onde predominam substratos bem consolidados de origem sedimentar e que ainda apresentam algum matagal mediterrânico bem desenvolvido. Estas são a Serra da Adiça, no interior do Baixo Alentejo; as elevações calcárias do Anticlinal de Estremoz, entre Sousel e Vila Viçosa e no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.


Serra da Adiça, habitat de E. tagis.


Colinas cobertas de matagal mediterrânico bem desenvolvido: Estremoz.

A Euchloe tagis é uma especialista ecológica que depende não só dos solos calcários como as suas lagartas apenas utilizam algumas plantas para o seu desenvolvimento: as
Assembleias (da família das Cruciferas, couves e afins) pertencentes ao género Iberis, que em Portugal possui três espécies.


Iberis procumbens microcarpa: endemismo português, planta alimentícia de E. tagis tagis.

Os habitats onde ocorre esta borboleta são muito ricos em biodiversidade, o que é facilmente comprovado com um passeio em qualquer destas serras: à notável diversidade
florística, onde se destacam as espécies aromáticas como alecrim, rosmaninho, tomilhos e madressilvas e as espécies mais singulares (e endémicas) de orquídeas há que associar uma enorme riqueza em animais que vão desde os milhares de espécies de insectos aos mais conhecidos Lince Ibérico(que possivelmente partilha o seu habitat com a E. tagis na Serra da Adiça) e muitas espécies de aves de rapina.

Contudo, à semelhança de muitas outras espécies, os principais factores de ameaça às suas populações centram-se nas alterações ao uso do solo e consequente perda e
degradação de habitats. A urbanização crescente é um problema sério apontado como o principal motivador da extinção de algumas populações perto de Almada no séc XX
mas o advento recente da olivicultura intensiva no Alentejo com recurso a cultivares de intensa produção mas exigentes em herbicidas e pesticidas coloca em risco importantes manchas de habitat e a prevalência desta espécie na Serra da Adiça e na zona de Vila Viçosa e Estremoz. Finalmente, um factor de coacção importante é o desempenhado pelas explorações de inertes como os calcários e os mármores, de importância relevante no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e principalmente no Anticlinal de Estremoz.
Aqui, as pedreiras a céu-aberto são tão abundantes que os habitats propícios à espécie são agora exíguos e fragmentários.



O valor desta borboleta para os ecossistemas reside no facto de ser um bom bio-indicador de qualidade e sustentabilidade porque é sensível às alterações operadas sobre os seus habitats e responde muito rapidamente a elas. Ao conservarmos esta espécie estamos a conservar um legado e um ecossistema que alberga muitas outras espécies de valor incalculável.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Orchis collina

Se no final do inverno ou no princípio da primavera nos aventurarmos pelos caminhos ou nos sentarmos nas clareiras pedregosas da Serra da Adiça, no Baixo Alentejo profundo é possível que nos deparemos com uma das mais raras orquídeas em Portugal: a Orchis collina.

Orchis collina - hábito.

O seu pequeno porte e coloração lilás rosada fazem com que passe facilmente despercebida entre o denso matagal mediterrânico com elevado valor de conservação que cobre esta serra que se avista desde Beja ou Moura no horizonte. Obviamente que quando pensamos em orquídeas, rapidamente nos vêm à mente as enormes flores tropicais que vemos nas lojas ou nos jardins botânicos mas as orquídeas portuguesas não são menos espectaculares e a Orchis collina é mais um exemplo disso mesmo: a complexa estrutura das suas flores exige uma polinização realizada por determinados insectos mas a sua estratégia baseia-se no puro engano: possui cores atraentes, uma ampla plataforma de aterragem mas… não produz néctar! O pólen adere à cabeça da frustrada abelha, escaravelho ou borboleta que ao visitar outra orquídea a irá polinizar.

Pormenor da inflorescência.

A Orchis collina é uma espécie típica de colinas calcárias bem soleadas um pouco por toda a bacia mediterrânica mas em Portugal apenas pode ser encontrada na Serra da Adiça, de onde se conhece apenas desde 1992. É uma espécie rara, pouco conspícua e de difícil localização e a curta janela temporal em que a podemos encontrar em flor, de Janeiro a Março não ajuda ao maior conhecimento sobre ela.


O. collina f. flavescens - A forma hipocromática desta espécie é ainda mais rara.

O que sabemos, contudo, é que os habitats onde ocorre são também extremamente ricos em biodiversidade. A Serra da Adiça constitui um conjunto de elevações que se destacam claramente na peneplanície alentejana e o seu substrato calcário e formação de microclimas específicos consoante a orientação e disponibilidade de água permitem a existência de um grande número de espécies em que muitas delas são raras em Portugal. A diversidade de orquídeas é notável já que aqui ocorrem mais de 21 espécies diferentes, os insectos estão por todo o lado e aqui ocorre uma das quatro únicas populações nacionais da borboleta Branca-Portuguesa (Euchloe tagis) e é um dos últimos locais em Portugal onde ainda pode aparecer o Lince-Ibérico (Lynx pardinus).

Panorâmica da Serra da Adiça

Se querem saber mais sobre este local fantástico visitem o blog Serra da Adiça da autoria de Ivo Rodrigues, o seu maior conhecedor e especialista em orquídeas, asseguro-vos que vale a pena.

A Serra da Adiça, as suas orquídeas, fauna e flora estão ali, à espera de ser descobertas por cada um de nós, venha daí!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

You know who I am




"And who cares if they don't ever understand
And I love you because you know who I am"

Alytes cisternasii (Anura, Alytidae)
Alentejo, Portugal
[these pictures are also featured on the ARKive website, devoted to the broadcasting of rare and charismatic species all over the world: http://www.arkive.org/iberian-midwife-toad/alytes-cisternasii/ ]

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lemonia philopalus, the incredible Iberian winter-night flier

Who would imagine that away from all the huss and fuss of Spring and Summer, away from the balmy nights that bring up so many interesting insects to our porch lights there would be something flying in mid winter?

Did you know there are moths, beetles, caddisflies, mayflies, bugs and other insects still flying through the year in temperate regions? Of course there are less species, life is more difficult in the cold... but what you see is usually quite unique so if you don't venture out, you won't see some of the best adapted species in our fauna.

This post is about one of them, a peculiar moth called Lemonia philopalus (Lepidoptera: Lemoniidae) which we can find only in southern Portugal and Spain and Morroco+Algeria.



It flies in winter nights (November-January) when it rains heavily and temperatures are freezing cold! No wonder why it has been discovered in Portugal only a mere 7 years ago, in spite of its size and beauty.

Females are larger than males and fly a bit less easily. One can distinguish them easily by the more flimsy antennae.



As for now, this species is only known from the wide peneplains of Alentejo where this pretty much acts like a steppe species adapted to survive in quite open situations, it seems to favour traditional agricultural practices and an intensive use of soil without semi-natural pastures seems to affect its populations.

The catterpillars feed on dandelions (Asteraceae) like Taraxacum officinale, Lactuca sp. but especially on Sonchus oleraceus and Crepis capillaris which are in full bloom in March and April when we can see the hairy caterpillars.



In a recent study, we have discovered that this species is seriously threatened by intensive farming practices in Alentejo, especially olive groove monocultures which use lots of herbicides eliminating foodplants, mobilizing soil in a manner incompatible with the pupal stage (underground) and improper management of roadsides and hedgerows.

It's our duty to know more and do our best to conserve rare species like this moth.

sábado, 23 de janeiro de 2010

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Borboletas Nocturnas no Parque Natural de Montesinho

De 21 a 25 de Maio de 2009 decorreram as Noites Europeias de Borboletas Nocturnas e uma equipa esteve no Parque Natural de Montesinho, expoente máximo da diversidade de borboletas em Portugal, afim de registar o que aparecia e assim aumentar e muito as espécies conhecidas para o evento (mais info AQUI) .

O resultado foi fantástico com mais de 120 espécies de Macrolepidópteros observadas em três noites por uma equipa de 5 pessoas!

São de especial realce duas espécies novas para Portugal:

Apamea crenata (Noctuidae)

Lobophora halterata (Geometridae)

E inúmeros 2º e 3ºs registos em Portugal como:

Siona lineata (Geometridae)

Hypena obesalis (Noctuidae)

Orthosia gracilis (Noctuidae)

Leucania comma (Noctuidae)

Outras espécies raras observadas:
Athetis pallustris (Noctuidae), Aethalura punctulata (Geometridae), Notodonta tritophus (Notodontidae), Hada plebeja, Pachetra sagittigera (Noctuidae)...
Mais um motivo para preservarmos esta região tão importante para a biodiversidade nacional e Ibérica além da própria cultura e as gentes que localmente são de uma riqueza enorme!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Jewels from the meadow 3: Orchis collina


This is a rare species in Portugal, whose distribution seems to be fairly limited to the Adiça range, a mountain ridge in Alentejo made up of highly metamorphic carbonated rocks. Alongside this species we can find many calcicole plants and animals, rare in Portugal and the Iberian Peninsula.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Anthocharis euphenoides

A Anthocharis euphenoides traz um brilhante colorido amarelo à primavera, pena que cada vez mais raro...
Distribuida por Portugal, Espanha e sul de França, esta espécie pode eventualmente ser localmente abundante mas especialmente em Portugal, muitas das suas populações desapareceram nos últimos 50 anos. Exemplos destas populações são as dos arredores de Lisboa como na zona de Sintra (anos 50) e na serra da Arrábida e São Luis (anos 70) enquanto as populações do curso superior do Rio Douro mantém-se mais ou menos saudáveis.
Os motivos destes desaparecimentos locais não estão bem documentados mas na zona de Sintra tal dever-se-à provavelmente à expansão urbanistica que ocupou os habitats adequados (zonas onduladas e colinas xerotermófilas com abundância da planta alimentícia, espécies perenes de Biscutella, Cruciferae). Na Arrábida o seu desaparecimento é dificil de perceber dado o relativamente rico e bem preservado coberto vegetal mas a planta alimentícia é de facto rara e desenvolve-se maioritariamente nas bermas das estradas. Se pensarmos que a vegetação destas bermas é cortada no periodo máximo de floração e voo das borboletas... é fácil daí depreender que o futuro não é fácil! Ora, o corte em Março-Abril destas bermas é feito sensivelmente desde os anos 70-80...
As fotos que se seguem foram obtidas em Gibraltar (UK) em Abril 2009.
Adulto - Amarelo vivo, nas flores onde descansa ao final do dia passa facilmente despercebido.
Larva - Coloração aposemática indicadora de toxicidade ou camuflagem nas flores amarelas de Biscutella?
Pupa - Camuflagem com os talos verdes da planta alimentícia... ou um espinho...
faltou o ovo...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Iberodorcadion brannani

Após uma longa ausência de vários meses por diversos motivos, resolvi reiniciar a publicação aqui no blog onde prometo ser mais assíduo e menos extenso no que escrevo, dando maior privilégio à fotografia. É mais atractivo e simples para todos.
Entretanto soube que o meu modesto blog teve um prémio do meu amigo Ivo Rodrigues (Ver blogues Serra da Adiça e Orquídeas Além-Tejo, mesmo aqui ao lado), o qual agradeço ;-) !

Pelos rasgados elogios também agradeço ao meu amigo Humberto Grácio pela mensagem que escreveu no dia 15 Janeiro 2009 no seu blog pessoal (também aqui ao lado). Sem vocês o conhecimento do mundo natural neste cantinho da Europa não avançava com o rigor e ritmo que verificamos actualmente. Eu e os nossos descendentes agradecemos!

Recomeço então com a apresentação de uma espécie de escaravelho da família Cerambycidae endémica de Portugal:

Iberodorcadion brannani (Schaufuss, 1870)

Esta espécie é endémica do maciço central da Serra da Estrela onde apenas ocorre acima dos 1200m de altitude. É um pequeno escaravelho terrestre encontrado debaixo de pedras e caminhando nos prados pedregosos entre os zimbros e os piornos.
Algo dificil de fotografar pela sua cor negra, é uma componente importante que interessa preservar, dado que pela sua reduzida área de distribuição mundial e ameaças (alterações climáticas, destruição de habitat, etc) se encontra em risco.

sábado, 6 de setembro de 2008

Lep Series 3 - Pseudophilotes abencerragus




Pseudophilotes abencerragus is one of the smallest butterflies in the world. This liliputian butterfly is as small as it is rare, found only in very few places in Portugal, Spain and Morocco where its colonies are very local and butterflies fly in rocky places with sparse vegetation, which constitutes their habitat.
This is a highly stenochorous species as they fly around the foodplants and little more, not going much further than a couple of meters away.


In Portugal this rare species is to be found mostly in the Algarve, with scattered populations elsewhere. Their caterpillars feed only on the smalish Cleonia lusitanica, from the rosemary family.



This was photographed in Baixo Alentejo, Portugal, in a newly discovered colony, found only last year.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lep Series 2 - Lycaena bleusei

This is Lycaena bleusei (Lycaenidae, Lycaeninae), a small butterfly with an equally restrict distribution range in the centre of the Iberian Península.
Here, it is to be found in and around the central mountain System from the spanish Sierra de Guadarrama westwards to the portuguese Serra da Estrela and Serra da Gardunha, with some populations to the south in nearby mountain ranges.

This species in Portugal inhabits mountain pastures, forest edges and flowery meadows above 700-800m in the mountain system going from Serra da Malcata to Serra da Estrela and Gardunha although new colonies are expected to be discovered in the next years.

However, its distribution isn't exactly known due to the presence in the northern third of the country, of its sister species L. tityrus which is very similar and they were considered conspecific until very recently and we still don't know where ends tityrus and starts bleusei.

The caterpillars feed on docks (Rumex sp.) which are to be found in moist or wet conditions which are favoured by the butterfly too.

The other species of the genus in Portugal include the widespread and common L. phlaeas, the mountain species L. alciphron, the sister species L. tityrus to the north and the high mountain and very rare Lycaena virgaureae, in the extreme north of the country.

Picture taken in the Glacier Valley of the river Zêzere, Serra da Estrela, one of the strongholds of the species.

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Esta é a Lycaena bleusei (Lycaenidae, Lycaeninae), uma pequena borboleta com uma igualmente restrita área de distribuição no centro da Península Ibérica.
Aqui poderá ser encontrada apenas no Sistema Central Ibérico e nas zonas em volta desde a espanhola Sierra de Guadarrama para oeste até à Serra da Estrela e Serra da Gardunha, com algumas populações a sul nos sistemas montanhosos próximos.
Em Portugal a L. bleusei habita pastos de montanha, orlas de florestas e prados floridos acima doa 700-800m no sistema montanhoso que vai desde a Serra da Malcata até à Serra da Estrela e Gardunha apesar de ser esperada a descoberta de novas colónias nos próximos anos.

Contudo, a sua distribuição não é muito bem conhecida devido à presença um pouco mais a norte de uma espécie gémea, a L. tityrus, muito similar e com os mesmo hábitos e ecologia tendo até muito recentmeente sido consideradas como pertencendo à mesma espécie e ainda não se sabe onde acaba a tityrus e começa bleusei.

As lagartas alimentam-se de azedas (Rumex sp.) que são normalmente encontradas em zonas húmidas, zonas também favorecidas por estas borboletas.

Outras espécies neste género incluem a comum e largamente distribuida L. phlaeas, a espécie de montanha L. alciphron, a supracitada L. tityrus para norte e a rara espécie de alta montanha Lycaena virgaureae, no extremo nordeste do país.

Fotografia tirada no Vale Glaciário do Rio Zêzere, Serra da Estrela, um dos locais onde a espécie é encontrada mais frequentemente.